Maxwell Alexandre, The weather project, da série Novo Poder, 2021

Seminário Práticas Pedagógicas Antirracistas nos Espaços de Educação e Arte

12 de setembro de 2026

O seminário PRÁTICAS PEDAGÓGICAS ANTIRRACISTAS NOS ESPAÇOS DE EDUCAÇÃO E ARTE é uma ação formativa que propõe partilhas, reflexões e diálogos interdisciplinares, partindo das relações entre arte, educação, memória, representatividade negra e práticas pedagógicas engajadas com a educação antirracista.
A ação é voltada prioritariamente a professores da rede pública de ensino de São Paulo, além de profissionais e agentes atuantes nas áreas de arte e cultura e outros campos da educação.
O evento articula mesas de diálogo, relatos de experiência, partilhas artísticas, além de contação de histórias e um painel temático, os quais abordam temas relacionados à atuação de artistas negros no país, educação antirracista, mediação cultural, educação museal e demais práticas educativas.

A iniciativa dialoga diretamente com os princípios estabelecidos pelas Leis no 10.639/2003 e no 11.645/2008, contribuindo para a ampliação de repertórios teóricos e metodológicos voltados ao ensino da história e cultura afro-brasileira, africana e afrodiaspórica nos diferentes espaços de formação.

Inscrições gratuitas encerradas. Em caso de desistências, as vagas serão preenchidas por ordem de chegada, a partir das 10h, após o encerramento do credenciamento.

  • Fortalecer práticas pedagógicas antirracistas comprometidas com a diversidade, os direitos humanos e a democracia;
  • Fomentar a formação continuada de professores da rede pública e educadores em geral;
  • Incentivar o uso da arte como referencial crítico para a leitura do mundo;
  • Promover a troca de experiências entre profissionais da educação formal e não-formal, instituições culturais e agentes da produção artística contemporânea.
  • Professores da rede pública de ensino; outros profissionais atuantes nas áreas da educação, arte e cultura; interessados em geral.
  • 150 vagas
  • Inscrição gratuita, online, por meio de preenchimento de formulário, seguindo a ordem de prioridades.
  • Critério de seleção por ordem de chegada. 50% das vagas serão destinadas a professores da rede pública de ensino.

A obra Sem título (2021) do artista Maxwell Alexandre, ponto de partida para identidade visual deste projeto, integra a série Novo Poder na qual ele cria imagens para um futuro em que a população negra passa a ter maior acesso não apenas a
bens materiais, assim como ao que ele chama de “valores mais imateriais e etéreos”, incluindo a arte contemporânea e seus códigos.

Pensando na importância e urgência de práticas antirracistas, a pesquisa artística de Maxwell Alexandre demarca a ampla disputa pelo direito de acesso aos espaços de produção e difusão artística e cultural. É nesse contexto que se insere o seminário, partilhando e refletindo a partir de projetos e processos educativos e artísticos, reflexões sobre os caminhos para ampliação de práticas que contribuam para a equidade racial, a democratização dos bens artísticos e culturais, o fortalecimento da representatividade negra e a produção simbólica de novas formas de ler e recriar o mundo.

Antônio Almeida (Presidente, Instituto TeArt)
Vera Nunes (Superintendente Artística, Museu Afro Brasil Emanoel Araujo)
Auana Diniz (Projeto Enredar e Curadora Adjunta do Seminário)

Imagem do negro nas artes do Brasil – De sujeito de interesse a protagonista das narrativas
Claudinei Roberto da Silva (Curador)

A aula propõe uma reflexão sobre como, por meio da história da arte brasileira, é possível identificar os avanços das lutas sociais empreendidas pela população negra e por outros grupos historicamente marginalizados — e de que maneira os espaços culturais de São Paulo permitem revisitar, debater e compreender essa trajetória.

Claudinei Roberto da Silva é curador, professor e artista visual, com trajetória marcada pela atuação em instituições centrais da arte brasileira. Desenvolve projetos curatoriais que articulam arte, educação e crítica e é integrante do conselho curatorial do MAM SP. Sua experiência inclui a Fundação Bienal e o MAC USP, consolidando-se como referência no campo curatorial.

Agbalá Conta
Contação de histórias com Giselda Perê (Artista e educadora)

Agbalá Conta é uma cabaça mágica que guarda todas as histórias das nossas ancestralidades pretas, quando encantada ela se abre e revela histórias que valorizam nossas identidades e nossas histórias de origem; Devolvendo a dignidade, a humanidade, a sabedoria, e as belezas contidas em nossas heranças ancestrais. Agbalá Conta é um núcleo de pesquisa e criação de narrativas pretas, fundado em 2010 por Giselda Perê com o objetivo de dar visibilidade às histórias das nossas ancestralidades pretas.

Giselda Perê é artista, pesquisadora e educadora, com atuação em arte-educação e nas tradições africanas e afro-brasileiras. Mestre pelo IA/UNESP, pesquisa o papel dos mitos e narrativas na formação docente e no enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa. Sua trajetória integra teatro, música e mediação cultural, articulando práticas artísticas e educativas. Possui experiência em instituições como o Museu Afro Brasil e a Fundação Casa, desenvolvendo ações voltadas à educação, cultura, diversidade e valorização das tradições afro-brasileiras.

Oferecido gratuitamente pela organização

Denis Moreira (Artista)
Juliana dos Santos (Artista)
Rosa Couto (Curadora independente)
Mediação: Claudinei Roberto da Silva

A arte constitui-se como um meio de aprofundar a experiência sensível e cognitiva dos indivíduos, estabelecendo relações complexas com o meio em que se desenvolve. Sua plena compreensão pode ser estimulada pelo aprendizado em escolas e academias, espaços onde se constrói o conhecimento que favorece uma relação mais prolífica com a produção artística. Contudo, a própria arte — por meio dos objetos e artefatos que lhe dão significado — é capaz de gerar, no contato direto com o público, o conhecimento necessário para a sua fruição crítica e construtiva.

Denis Moreira é artista visual, professor e integrante do coletivo Vilanismo. Sua produção investiga culturas afrodescendentes e a reconstrução da identidade negra, articulando memória, ancestralidade e contemporaneidade por meio da fotografia e da pintura. Participou da 36ª Bienal de São Paulo e da Trienal Frestas, além de exposições em instituições como Museu Afro Brasil Emanoel Araújo, MAM-SP, Sesc, Pinacoteca do Ceará e Galeria A Gentil Carioca. Sua trajetória destaca a valorização da memória, identidade e cultura negra na arte contemporânea brasileira.

Juliana dos Santos é artista visual, mestre em Arte/Educação e doutoranda em Artes pela UNESP. Sua produção reúne instalação, vídeo, pintura, performance, fotografia e multimídia, tendo como eixo de investigação a cor azul da flor Clitória Ternátea. Sua pesquisa articula arte, história e educação, com foco nas práticas de artistas negros. Participou da 36ª Bienal de São Paulo, da 12ª Bienal do Mercosul e da Trienal Frestas. Suas obras integram acervos da Pinacoteca e do Museu da Língua Portuguesa.

Rosa Couto é historiadora, curadora e musicista, doutora em História e Cultura Social pela UNESP. Sua pesquisa dedica-se à história e à música africana e afro-brasileira. É autora do livro Fela Kuti: contracultura e (con)tradição na música popular africana, publicado em 2018. Desenvolve projetos musicais com a Funmilayo Afrobeat Orquestra e possui experiência como pesquisadora e curadora no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo. Sua atuação articula história, música, pesquisa e curadoria, valorizando culturas e expressões afro-brasileiras e africanas.

Claudia Guirao (Diretora da EMEI Dona Leopoldina)
Sidney Rodrigues Ferrer (Educador e sociólogo)
Raphaellie Laz (Educadora, Museu Afro Brasil Emanoel Araujo)
Mediação: Jordana Braz (Educadora e pesquisadora)

As escolas públicas e os museus, a partir de suas especificidades, são espaços fundamentais de educação e construção de conhecimentos. Historicamente, essas instituições também estiveram vinculadas à reprodução de estruturas excludentes e narrativas colonialistas. No entanto, atualmente, reafirma-se a urgência desses espaços atuarem de forma democrática, plural e inclusiva. Nesse contexto, a implementação da Lei nº Lei 11.645/2008, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de história e culturas africanas, afro-brasileiras e indígenas na educação formal, reafirmou a importância dos debates e ações pedagógicas voltadas à revisão crítica dos currículos e das práticas educativas antirracistas tanto na educação formal, quanto na educação não-formal. Em diálogo com esse cenário, museus, escolas públicas, educadores e pesquisadores vêm desenvolvendo projetos e experiências antirracistas traçando novos caminhos e possibilidades de aprendizagem. A mesa propõe um diálogo entre experiências desenvolvidas nesses diferentes espaços.

Claudia Guirao é psicopedagoga, pedagoga e gestora educacional, com atuação na educação infantil e na construção de práticas pedagógicas antirracistas. Diretora da EMEI Dona Leopoldina desde 2022, participa do projeto Terreiro de Infâncias: Cultivando um Currículo Afro-Brasileiro na Educação Infantil. Também atua como Conselheira Regional do SINESP na região da Lapa.

Sidney Rodrigues Ferrer é mestre em Sociologia pela FFLCH-USP, educador e pesquisador dedicado à formação de professores e ao ensino de História e Arte africana e afro-brasileira. Seu trabalho aborda práticas pedagógicas e tradições de matriz africana no Brasil. Atuou em programas educativos da Fundação Casa, Fábricas de Cultura e Museu Afro Brasil.

Raphallie Lázaro é artista visual e educadora bilíngue no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, onde atua desde 2021. Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Ouro Preto, possui mestrado em Educação pela UFSB, com foco em Ensino e Relações Étnico-Raciais. Atuou de 2020 a 2024 como pesquisadora bolsista no projeto de pesquisa em saúde mental LGBTIAPN+ SMILE, via Fiocruz e Duke University, chegando a ser premiada no simpósio de direitos humanos da universidade estadunidense.

Jordana Braz é educadora, pesquisadora e artista têxtil, com atuação em mediação cultural e projetos educativos. Sua pesquisa articula relações étnico-raciais, práticas pedagógicas, bordado e memória. Com passagem pela Fundação Bienal, Sesc e Instituto Tomie Ohtake, desenvolve projetos que conectam arte, educação e experiência social.

Marcia Vaz (Supervisora de programação e curadoria de cinema, Instituto Moreira Salles)

Uma reflexão a partir de um panorama histórico das imagens e narrativas dedicadas às populações negras e de como partidos curatoriais e de programação seguem incidindo sobre os alicerces da formação de repertório artísticos, cinematográficos e culturais.

Marcia Vaz é responsável pela área de cinema do Instituto Moreira Salles, onde apresentou mostras de Adélia Sampaio, Marlon Riggs, Gordon Parks, Agnès Varda, Abbas Kiarostami e do Panorama do Cinema Indígena Brasileiro. Formada em Audiovisual pela UNESP, possui mais de 20 anos de experiência em instituições como Cinemateca Brasileira, MIS, Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Bienal Sesc_Videobrasil e Pivô Arte e Pesquisa. Em 2025, foi contemplada na residência Courants du Monde. É parecerista da Firelight Media e coprodutora de Gyuri.

CURADOR

Claudinei Roberto da Silva

Professor, curador e artista visual. Nasceu em São Paulo, onde vive e trabalha. É licenciado em Arte-educação pelo Departamento de Artes da Universidade de São Paulo, USP. Com trajetória marcada pela atuação em instituições centrais da arte brasileira. Desenvolve projetos curatoriais que articulam arte, educação e crítica.

É integrante do conselho curatorial do Museu de Arte Moderna, MAM SP. Sua experiência inclui a Fundação Bienal de São Paulo e o Museu de Arte Contemporânea, MAC USP, consolidando-se como referência no campo curatorial. No Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, atuou entre 2009-2013 como assistente curatorial e posteriormente coordenou o Núcleo Educativo do museu.

CURADORA ADJUNTA

Auana Diniz

Arte/educadora e socióloga. Doutora em Artes (Instituto de Artes – UNESP, área de concentração Artes e Educação, linha de pesquisa Processos Artísticos, Experiências Educacionais e Mediação Cultural), especialista em Mediação, Arte, Cultura e Educação (Escola Guignard – UEMG) e bacharel em Ciências Sociais (PUC-SP). Possui formação em artes visuais e dança moderna e contemporânea.

Trabalhou com programas e projetos artísticos, culturais e educativos em instituições culturais como Instituto Inhotim, Fundação Bienal de São Paulo, Poiesis – Fábricas de Cultura, unidades do Sesc-SP, Instituto Arte na Escola, entre outras. Colaborou em publicações nas áreas de artes visuais, dança e ensino de artes da Editora Moderna, Editora Brasil, Inhotim, SESI-SP, Pinacoteca do Estado de São Paulo e Instituto Arte na Escola. Atualmente é coordenadora geral e artístico-pedagógica do projeto Enredar (Instituto TeArt).