Bolsas de
Residência
Artística
Sertão Negro/
TeArt 2026

Criação com raízes
e horizontes

O Instituto TeArt e o Sertão Negro Ateliê e Escola de Artes oferecem duas bolsas de residência artística voltada a artistas de todo o Brasil. Durante quatro semanas intensas de trocas e criação, a proposta convida a experimentar, investigar e se conectar com saberes, territórios e processos artísticos diversos.

A residência oferece suporte completo para que artistas desenvolvam projetos em diferentes linguagens — da pintura à fotografia, do vídeo à escultura. A vivência será dividida entre o Sertão Negro Ateliê e Escola de Artes, em Goiânia, espaço de fundamental relevância fundado pelo artista visual Dalton Paula e que tem direção artística compartilhada com a pesquisadora e curadora Beatriz Lemos, e a Comunidade Quilombola Engenho II, do Quilombo Kalunga, em Cavalcante/GO.

As pessoas selecionadas receberão acompanhamento e orientação do artista visual Dalton Paula e da curadora e pesquisadora Melissa Alves, além de estrutura completa de ateliê, biblioteca, ferramentas especializadas, hospedagem, alimentação, transporte e um cachê.

Pessoas autodeclaradas negras e indígenas têm prioridade no processo seletivo, que valoriza pluralidade, poéticas individuais e a construção coletiva do saber. Mais do que um espaço de produção, a residência é uma travessia entre arte, território e ancestralidade.

Criação de propósito

A residência oferece tempo, cuidado e escuta para aprofundar ideias, técnicas e poéticas autorais.

Ateliê-escola como ponto de encontro

O Sertão Negro reúne artistas, curadores e comunidades em torno da arte como linguagem e experiência.​

Território que ensina

A imersão no Quilombo Kalunga é um processo de troca viva com saberes ancestrais e cotidianos.​

Bolsas de Residência Artística
Sertão Negro/TeArt 2026

A edição 2026 das Bolsas de Residência Artística Sertão Negro/TeArt recebeu 304 inscrições de artistas de diferentes regiões do Brasil, reafirmando a potência e a diversidade da produção artística contemporânea no país. Após um criterioso processo de avaliação, a comissão de seleção — composta por Dalton Paula (DF), Melissa Alves (RJ), Ariana Nuala (PE) e Vânia Leal (AP) — definiu as artistas contempladas. O processo seletivo priorizou a consistência das trajetórias, a potência das pesquisas e a afinidade conceitual com as vivências propostas no território quilombola, considerando também a centralidade feminina e a ampliação do acesso a espaços de imersão artística.

 

Conheça mais das residentes selecionadas na Bolsa Sertão Negro/TeArt 2026:


Dyana Santos (Contagem, MG) é doutora em Artes Visuais (UFMG) e sua produção une ofícios familiares ao legado tecnológico e ancestral dos povos Bantu. Em sua prática, transita entre escultura, instalação e objetos que utilizam as medidas do próprio corpo, combinando metalurgia e saberes têxteis em materiais como aço e cobre. Suas investigações abordam as violências da colonialidade e recuperam conhecimentos ancestrais como formas de resistência e reparação histórica..

Acesse o perfil de Dyana no Instagram @dyanasantos.studio


Yacunã Tuxá (Rodelas, BA) é artista, escritora e ativista do povo Tuxá. Mobiliza fotografia, colagem, escultura e muralismo para investigar memória e permanência em territórios impactados por barragens, onde palavra e matéria operam como registro e identidade. Sua produção captura a resistência de mulheres indígenas na defesa da vida, debatendo interseções entre raça, gênero e sexualidade. Ao tensionar estigmas impostos aos povos originários, Yacunã afirma sua presença na arte e no ambiente digital, compreendendo o fazer artístico como gesto de escuta, reparação e transmissão de saberes.

Acesse o perfil de Yacunã no Instagram @yacunatuxa

Dia a dia na residência

Em julho, as artistas Dyana Santos (MG) e Yacunã Tuxá (PE), bolsistas da Residência Artística Sertão Negro/TeArt 2026, iniciaram uma imersão em diálogo com o cerrado goiano e os saberes do território.

O percurso passou pelo Quilombo Kalunga, em Cavalcante (GO), com vivências e contato com saberes e manifestações culturais locais, e pelo Instituto Sertão Negro, em Goiânia (GO), onde as artistas desenvolveram suas pesquisas e obras com acompanhamento curatorial e oficinas técnicas.

O processo culminou no Ateliê Aberto, compartilhando experiências, reflexões e caminhos poéticos construídos durante a residência.

Semana 1

O cerrado goiano e o Quilombo Kalunga foram o ponto de partida das Bolsas de Residência Artística Sertão Negro/TeArt 2026.

A Comunidade Quilombola Engenho II, em Cavalcante (GO), tornou-se território de escuta e imersão para as bolsistas Dyana Santos e Yacunã Tuxá, acompanhadas dos artistas Advânio Lessa e Badu.

A programação reuniu encontros com moradores, vivências de cultivo e produção de rapadura, rodas de conversa com mulheres quilombolas e percursos pela história e pela geodiversidade do território. O grupo também participou dos festejos de Santo Antônio e de uma oficina de argila com Dona Teresa, no Quilombo Ema, além de um intercâmbio de danças tradicionais entre comunidades quilombolas.

As trilhas pelas Cachoeiras Santa Bárbara e Capivara encerraram essa primeira etapa, marcada pela aproximação com os saberes, as práticas e a paisagem do Cerrado.

Semana 2

Depois da imersão no Quilombo Kalunga, a segunda semana da Bolsa de Residência Artística Sertão Negro/TeArt 2026 começou em Goiânia (GO), marcando a passagem das vivências no território para o espaço de criação.

No Sertão Negro Ateliê e Escola de Artes, memórias, saberes e experiências compartilhadas durante a primeira etapa passaram a orientar novas pesquisas, experimentações e possibilidades poéticas.

A programação reuniu diálogos e visitas, momentos de acompanhamento curatorial e uma rotina de produção no ateliê, além de oficinas práticas de gravura e cerâmica.

A semana também contou com uma leitura de portfólio comentada, realizada na Cerrado Galeria, em um encontro aberto ao público que ampliou as trocas entre artistas, curadoria e visitantes em torno dos processos de criação.

Semana 3

As pesquisas seguiram entre conversas, experimentações e o aprofundamento dos processos de criação. A programação reuniu uma atividade de escuta de poéticas com a curadora Melissa Alves e uma oficina de escrita provocativa, voltada à revisão dos percursos de pesquisa e ao aprofundamento das questões que orientam os trabalhos.

No ateliê, as pesquisas em argila continuaram em desenvolvimento, acompanhadas por Anahy Jorge. A experimentação de formas, técnicas e materialidades integrou a rotina de criação, aproximando pesquisa e prática.

A vivência no Sertão Verde, conduzida por Myllena Camargo e Thainan Menezes, aproximou o grupo das práticas desenvolvidas pelo projeto socioambiental do Sertão Negro. A experiência apresentou formas de cultivo e cuidado com a terra, articulando agricultura, educação ambiental e saberes afro-brasileiros e indígenas, em uma experiência que ampliou as relações entre território, memória e criação.

Ateliê Aberto

Os processos de criação seguiram em desenvolvimento a partir das experiências vivenciadas durante a residência, culminando na abertura dos trabalhos ao público no Ateliê Aberto. A atividade reuniu Dyana Santos, Yacunã Tuxá e Advânio Lessa em uma partilha de experiências, reflexões e caminhos construídos ao longo da residência Sertão Negro/TeArt 2026.

Nos chalés onde estiveram durante a residência, os artistas também apresentaram suas produções, revelando marcas, descobertas e atravessamentos do percurso entre o Quilombo Kalunga e a imersão no ateliê. As vivências desse período reverberaram em suas trajetórias, ampliando questões, referências e possibilidades de criação.

A roda de conversa do Ateliê Aberto está disponível no canal do Sertão Negro no YouTube.

Bolsas de Residência Artística
Sertão Negro/TeArt 2025

A edição 2025 da Bolsa Sertão Negro/TeArt recebeu 268 inscrições de artistas de todo o Brasil, que investigam territórios, ancestralidades e criações que emergem das margens. Após um criterioso processo de avaliação, foram selecionadas Abiniel João Nascimento e Shai Andrade, que se uniram a Társis Aires — contemplado com a Bolsa da Fundação da Memória Republicana Brasileira (FMRB) — para trocar experiências e desenvolver seus trabalhos em um espaço potente de criação coletiva.

O Ateliê Aberto é parte do resultado dos trabalhos realizados ao longo da Residência Artística Sertão Negro. Assista ao depoimento dos residentes da edição de 2025:

Conheça mais das residentes selecionadas na Bolsa Sertão Negro/TeArt 2025:


Natural de Carpina (PE), Abiniel tem interesse pelas transmutações da presença como fundamento de suas investigações poéticas. O avesso do arquivo, da memória e da ausência são conceitos-chave para a estrutura de pensamento engendrada pela sua obra. É bacharel em Museologia e discente do mestrado em Artes Visuais. Dentre as exposições, festivais e residências de que participou, destacam-se a exposição individual ACEIRO, nas galerias Massangana e Baobá (Recife – PE),o festival Radical Sounds Latin America, em Berlim (2023); e as residências no Pivô – Arte e Pesquisa (São Paulo – SP, 2023), na Terra Saúva (Botucatu – SP, 2024) e na Galerie Paradise (Nantes – FR, 2022).

Acesse o perfil de Abiniel no Instagram @abinieljnascimento.


Shai Andrade nasceu em Salvador, Bahia. É fotógrafa e artista visual, sua pesquisa transita pelo campo da arte-movimento, criando narrativas despertadas por vivências pessoais. Sua obra parte de arquivos de família, memórias sensoriais e experiências intuitivas com memórias matriarcais. Andrade constitui, a partir dessas dinâmicas das narrativas intergeracionais, um patrimônio a ser herdado e resgatado. Em uma realidade em que quase tudo lhe foi tirado, a artista retoma a construção dessa herança cultural do povo negro, reconstruindo a casa, o templo, as estruturas, as luzes, as cores e a história.

Acesse o perfil de Shai no Instagram @sunshaii.

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